DISTRITO DE CABO VERDE
1. SITUAÇÃO ACTUAL DO DISTRITO
Este Distrito já tem 66 anos de idade, pois foi em 1941 que os primeiros espiritamos pesaram o solo cabo-verdiano, numa altura em que a situação da Igreja local era muito precária. Dos poucos escritos que temos hoje sobre a história da Igreja que está em Cabo Verde, os historiadores são unânimes em afirmar que a Congregação do Espirito Santo, muito justamente, inaugurou o renascimento religioso em Cabo Verde.
Os Confrades no Distrito
Neste momento, o Distrito tem 16 confrades e, no próximo ano pastoral, estamos a contar com mais 3 jovens confrades, dois dos quais, em primeira nomeação.
Temos confrades que apesar de todas as limitações de saúde e afins, mantêm um forte espírito de entrega à missão e ao serviço desta Igreja local. Confrades que há muitos anos dão as suas vidas a esta causa.
No entanto é um grupo pesado na sua faixa etária, a maior parte estando já na reforma. E depois, muitos dos confrades estão no mesmo sítio há muitos anos.
Esta fixação durante muito tempo no mesmo sítio tem as suas consequências e implicações nas colocações do pessoal. Como nunca foi proposta uma mudança e/ou nunca aceitaram, instalaram-se e agora com o avançar da idade torna-se mais complicado a tão necessária rotatividade.
Em termos de membros da Congregação originários do Distrito somos 6 padres, incluindo o Bispo da Diocese de Santiago de Cabo Verde e mais 3 jovens professos e dois futuros noviços. De referir que os confrades naturais de Cabo Verde têm a província de Portugal como circunscrição de origem.
É de salientar que dos 6 confrades, 3 estão a trabalhar na missão ad extra: Amazónia, Paraguay e Guiné-Bissau.
Temos ainda 5 jovens a estudar a Filosofia em Portugal e 3 seminarista na casa principal do Distrito.
1.2 Vivência da RVE e aplicação da orientação dos Capítulos Gerais e de Circunscrição
Há um costume muito bom que sempre norteou o nosso Distrito, isto é, os encontros semanais de todas as segunda-feiras, em que quase todos os confrades estão presentes e o nosso encontro mensal. É nesse encontro mensal que se planifica, avalia e se toma conhecimento/estudo das orientações da nossa Congregação.
1.3 Relação com as outras Circunscrições Regionais
Neste momento, ainda é cedo. Mas a Circunscrição Regional mais próxima é a FANO. Fundação que conheço muito bem, com a qual tenho uma ligação afectiva muito grande. Neste momento temos 1 confrade da FANO e estamos à espera de mais um que vem trabalhar no nosso Distrito. Da nossa parte temos um confrade do Distrito – tendo Portugal como província de origem - que foi nomeado para a FANO, na Guiné-Bissau. Já tivemos dois estagiários originários da FANO. A integração deles foi óptima e deram bom testemunho. É preciso encontrar formas de cooperação e partilha praticáveis.
2. O projecto Missionário
Olhando para a nossa realidade, propomos as seguintes linhas de orientação:
2.1 O diálogo comunitário e o ministério partilhado
Confrades de idade avançada que viveram muitos anos sozinhos numa paróquia e habituados a programar e projectar os planos pastorais sozinhos têm dificuldade em integrar na pastoral os confrades que chegam. O pároco faz e desfaz e o confrade não sabe nada e nem é consultado. Apenas é convidado a executar algumas tarefas. A situação exige uma resposta ponderada e urgente.
2.2 O sentido missionário da nossa pastoral
Desde o ano de 1941 até aos anos 70 o trabalho missionário foi muito marcado pelas visitas e contacto directo com as pessoas. Hoje temos tudo centralizado. Poucos são os confrades que praticam esta pastoral de proximidade e quem o pratica corre o risco de ser criticado. Um valor a ser recuperado e, hoje, temos estradas que nos levam a muitas aldeias distantes. Era uma maneira de nós marcarmos a diferença. Ligado a esta pastoral de proximidade, é preciso despertar nos mais jovens o gosto pela aprendizagem da língua local, o crioulo.
2.3 Impulsionar as “Fraternidades Espiritanas” e a participação dos Leigos
Todas as orientações que temos da nossa Congregação e que saem dos nossos capítulos realçam que o nosso carisma e a nossa espiritualidade são riquezas que devemos partilhar com os leigos. A fraternidade Espiritana está presente nalgumas das nossas paróquias, mas temos que investir mais. O terreno está preparado, falta apenas lançar as sementes.
2.4 A nossa Pastoral Vocacional
Desde o ano de 1941 até ao ano 1991, a nossa pastoral vocacional estava orientada para a formação do clero local. Só 50 anos depois é que verdadeiramente se começou a dar os primeiros passos na promoção vocacional, no sentido de formar membros para a nossa Congregação. Até agora tem havida um magnifico trabalho, no entanto, sentimos a urgência de uma nova restruturação.
2.5 A Internacionalidade
Os acontecimentos do ano passado ”caso confrades nigerianos”, marcaram muito negativamente o nosso Distrito. Provocou uma crise interna muito grande. A Diocese toda sentiu a instabilidade e o conflito que tiveram lugar entre nós. Já se fez uma reflexão entre nós, mas para o mês de Novembro próximo, início do ano pastoral, está agendada uma reflexão alargada entre nós.
3. PERSPECTIVAS PARA O FUTURO
3.1 Pastoral de Conjunto
Falta-nos uma orientação pastoral mais ao menos comum. Isto, para podermos apresentar-nos coesos diante de uma pastoral levada a cabo pelos padres diocesanos que não têm em conta uma evangelização profunda. Acontece que nós mesmos, como espiritanos, cada um faz à sua maneira.
Em diálogo com a Igreja local, fazer uma proposta clara e fundamentada sobre o fundamento dos sacramentos e a sua administração.
Cabo Verde, 24 de Junho de 2007
P. João Baptista F. de Barros, CSSp.